IAC - Livro

IAC - Livro

Livro em construção

18.5.04

 

Instituto de Arte Contemporânea (1996-1998): vida e morte de uma escola de experimentos

A criação do Instituto de Arte Contemporânea (UFPE) - um espaço fora dos limites do campus universitário em parceria com a prefeitura de uma cidade como Recife, tem como base uma política cultural que agregasse conhecimento em arte e educação sob novos paradigmas e também, um espaço aberto à dinâmica cultural da cidade. Aberto aos seus núcleos formais e informais no campo das artes plásticas contemporâneas. Sem ranço acadêmico foi evidenciado a pluralidade e os multimeios das artes. O IAC surge meio ao confronto entre o velho e novo, nas diferenças estéticas. Nesse sentido, o IAC, intervem no Bairro do Recife, interage com o universo acadêmico e dá inicio a um espaço cultural de vigor experimental.Inaugurado em 1996, fecha suas portas no Bairro do Recife em 1998 quando retorna ao campus universitário, perdendo sua principal característica - a intervenção na cidade, fora dos corredores acadêmicos.

HISTÓRICO

Em 1996, foi criado o Instituto de Arte Contemporânea, instalado em uma edificação antiga, restaurada pelo projeto de revitalização do Recife Antigo, situado a Rua do Bom Jesus, antiga Rua dos Judeus. O espaço físico foi cedido em convênio de comodato entre a Prefeitura Cidade do Recife a Universidade Federal de Pernambuco, para uso exclusivo a essa finalidade. A idéia de criar um espaço destinado às artes plásticas e visuais contemporâneas nasceu, a princípio, na Prefeitura de Olinda, por um grupo de intelectuais e artistas ligado a sua Fundação de Cultura, coordenado pelo artista plástico José Carlos Viana.

O convite ao reitor Éfrem Maranhão, para que a Universidade Federal de Pernambuco fosse parceira dessa idéia foi imediatamente acatado. Ao reitorado do professor e médico Éfrem Maranhão deve-se grande expansão empreendedora na Universidade Federal de Pernambuco e, em especial, ao campo da arte e da cultura, demonstrou uma sensibilidade singular – arrojada - pouco comum nas instâncias acadêmicas da administração central (conselhos superiores e reitoria). Uma comissão, então, é nomeada pelo reitor com expressivo peso de professores do Departamento de Teoria da Arte: Edna Cunha Lima, Guilherme Cunha Lima, Helena Pedra, João Denys Araújo, Sebastião Pedrosa, Célia Maranhão (diretora do Centro de Artes e Comunicação) e o artista plástico convidado Renato Valle, com a finalidade de um estudo preliminar de viabilidade da parceria no projeto , depois denominado IAC – Instituto de Arte Contemporânea.

Com o afastamento do artista plástico José Carlos Viana da presidência da Fundação de Cultura de Olinda e tendo o mesmo assumido a Fundação de Cultura Cidade do Recife, a idéia transferem-se, também, para Recife. Um grupo executivo é formada por Raul Henry (Secretário de Cultura da PCR), os professores Alfredo Soares (presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UFPE) e Helena Pedra (então, chefe substituto do Departamento de Artes da UFPE), para a formulação do projeto e bases do convênio a ser firmado para a viabilização do IAC. O local para sua instalação fica determinado pela PCR no Bairro do Recife.

ESTRUTURAÇÃO

Na virada do reitorado, em 1996, cumpre-se efetivamente o convênio entre as instituições para a implantação do IAC, agora sob a gestão do professor Mozart Ramos. Na parceria com a PCR coube a Universidade Federal de Pernambuco, a elaboração conceitual do projeto, a elaboração do projeto de adequação do espaço; especificação e aquisição do mobiliário e equipamentos; a disponibilização de recursos humanos; a implantação do programa de gestão cultural, além dos custos de manutenção e pessoal para o seu pleno funcionamento. A Prefeitura Cidade do Recife coube a concessão do espaço físico de 336 m2, distribuídos em 8 salas, nos 2º e 3º andares, em prédios de arquitetura antiga e totalmente restaurados, na rua do Bom Jesus, pelo programa de revitalização do Recife antigo.

Em janeiro de 1996, um Grupo de Trabalho foi instituído e coordenado pela professora Heleno Pedra, então diretora do Departamento de Cultura da UFPE, do qual o Instituto ficaria ligado institucionalmente, para a formatação técnica do IAC. O GT foi composto pelos artistas plásticos, Eudes Mota, Elizabete Gouveia, Fernando Lins e a arquiteta Dorinha Melo, resultando na estrutura que foi montada e deu funcionamento aquele Instituto. Foram instalados: salas ambientes para cursos teóricos, oficinas e laboratórios de pesquisa plástica e design gráfico, auditório e sala de mostras. Além de uma sala para documentação, posteriormente, para a instalação de uma livraria de arte e salas de atendimento a administração. As atividades programadas para a abertura pública do IAC e que dão, efetivamente, início aos trabalhos do IAC, demonstram a potencialidade daquele espaço cultural.

AÇÃO CULTURAL

No dia 12 de junho de 1996 inaugura o Instituto de Arte Contemporânea, que após a sua abertura oficial pelo Prefeito do Recife, Jarbas Vasconcelos e o Reitor da UFPE, Mozart Ramos, o IAC deflagra sua ação cultural. Abre a Sala de Mostra com o “Projeto de Identidade Visual do IAC”, assinado pelo designer Hans Waechter, também coordenador do LAB/PV da UFPE. No Auditório, o tema Universidade do 3º Milênio, pelo reitor da Universidade Federal de Pernambuco, abre a programação seguida das mesas e palestras sobre arte contemporânea brasileira e traz pela primeira vez críticos e curadores do eixo sul, Aguinaldo Farias (curador adjunto da Bienal internacional/ SP) e Fernando Cochiaralle (curador do Salão Nacional de Artes Plásticas / RJ, para o confronto com artistas locais e com a produção atual de artes plástica em Pernambuco. No enfoque da formação e contemporaneidade, Ana Mae Barbosa, crítica de arte e presidente do Conselho Internacional de Arte e Educação. Também participam das mesas artistas representativos de vários gerações, em Pernambuco, José Carlos Viana, João Câmara, Delano, Montez Magno, Fernando Lúcio, Sebastião Pedrosa, Reginaldo Esteves, entre outros. Apesar do convite, Francisco Brennand, Samico e Abelardo da Hora, não puderam comparecer.

A programação de cursos e oficinas inaugura os laboratórios de pesquisa plásticas do IAC: Engenharia do papel, Hans Waechter, Grafitagem: intervenções plásticas, Paulo Meira, Imagens Gráficas, Antonio Braga, O Objeto tridimensional, Edgar Ulisses e Colagem sobre Porcelana, Renata Ramos. Em espaço aberto e simultaneamente a programação das palestras e cursos, a rua do Bom Jesus acolheu instalações plásticas na mostra “Intervenções Urbanas”, com a participação dos artistas plásticos, Edgar Ulisses, Felix Farfan, Flávio Emanuel, Jobalo, Márcio Almeida, Maurício Silva, Oriana Duarte e Paulo Meira. Além das artes plásticas um espetáculo performático deu as boas vindas ao IAC, com artistas circenses, atores, bailarinos e músicos, sob a coordenação de Dinara Pessoa, diretora de cultura da Fundação de Cultura Cidade do Recife. Estava lançado o IAC.

GESTÃO

Durante o período de 1996 a 1998, de que trata essa abordagem, o IAC não foi institucionalizado nem pela UFPE e nem pela PCR, ficando de fato mas não de direito de ambos as instituições governamentais parceiras e criadoras do projeto. O que não impediu o Instituto fosse legitimado pelo tanto pelo público como pela crítica e pela imprensa. Nunca, na história da Universidade Federal de Pernambuco, ocupou tamanho espaço na mídia impressa como o IAC (ver documentação em arquivo – Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco 96/98). Sabe-se que os espaços adquiridos, gratuitamente na mídia especializada em cultura, são proporcionais ao interesse quanto à relevância da notícia, o interesse do leitor e o retorno comercial. Vale reconhecer que as empresas de comunicação de grande circulação (rádio, televisão e jornal) foram, naturalmente, importantes parceiros no apoio ao projeto do IAC.

Num curto período de dois anos, o volume de ações desenvolvidas pelo IAC, cumprindo os seus objetivos e com parcerias de instituições culturais de renome nacionais e Internacionais, tais como a Fundação Nacional das Artes (FUNARTE) possibilitando a vinda de professores, artistas e curadores ao Estado de Pernambuco; o Conselho Britânico, que possibilitou a vinda de professores e artistas ingleses para intercâmbio Liverpol /Recife, entre outros. Atividades de laboratório de pesquisa plástica na formação de novos artistas, laboratório de design na formação do designer e na prestação de serviços – priorizando aí a Associação dos Empresários do Bairro e atendimento aos próprios setores da universidade, além de mostras e exposições de artes plásticas - sendo a primeira sala de Instalações em Recife, e na formação desenvolveu um programa de cursos, workshops, encontros e debates com ênfase em mídia contemporânea, Cinema e Vídeo.

Vale lembrar que o IAC não possuía uma estrutura formal administrativa, de pessoal ou financeira comuns nas instituições de administração pública (secretaria de cultura, casa de cultura, departamento de cultura e/ou equivalentes) durante o período de 96/98, sendo o referido Instituto apenas um projeto (ação) do DEC, com instalações e ambientes adequados as suas atividades. As atividades foram realizadas a partir da captação própria do IAC, ou por parcerias com outras instituições (nacional ou internacional) ou por recursos diretamente arrecadados pelas inscrições dos cursos. Esses recursos possibilitaram o pagamento dos professores convidados em cinqüenta por cento do valor bruto arrecado. As despesas de manutenção e funcionários administrativos (do quatro) da PROEXT, destacados para atribuições no IAC, eram mantidos pela recursos da universidade.

O volume de atividades, o curto prazo de tempo, a materialidade (produtos) e o impacto provocado (resultados) e legitimado de forma pública (prêmios) denotam que a coordenação deste projeto de ação cultural pela Profª Helena Pedra (acumulando o cargo de diretora do DEC- com sede na rua Benfica) teve empenho em desenvolver e manter uma política de gestão cultural conseqüente e de serviços prestados de acordo com os objetivos do convênio. As tarefas de logística, execução e procedimentos administrativos de rotina foram atribuídos a uma equipe administrativa, considerada insuficiente e sem a qualificação técnica exigida, que se revezava para atender a demanda resultante de um projeto cultural deste porte. A implantação do IAC teve seu caráter experimental por se tratar de um projeto novo para os parâmetros acadêmicos, mesmo considerando os princípios que regem a extensão universitária - considerando que cada programa, projeto ou atividade são únicos, em sua natureza, especificidade e formato. No primeiro ano de gestão foi realizado um seminário interno onde detectou dificuldades de operacionalidade e a necessidade de maior instrumentalização técnica e humana, que melhor atendesse a velocidade de crescimento daquele Instituto.

O documento gerado pelo Seminário foi encaminhado para a PROEXT, instância de decisão, deliberação e acompanhamento de todas as ações desempenhadas pelo Instituto, bem como as demais estruturas por ela gerenciada, entretanto nenhum retorno efetivo, na avaliação do seminário ou providências decorrentes.

A implantação do IAC foi uma decisão da administração central da UFPE, deliberada primeiro pelo então Reitor Efren Maranhão, em parceria com a Prefeitura da Cidade do Recife, pelo então Prefeito Dr. Jarbas Vasconcelos, a primeira responsável pela gestão cultural e posteriormente pelo atual reitor Mozart Ramos que resultou na assinatura do convênio de comodato pela ocupação do espaço físico para o funcionamento do Instituto.

O projeto do IAC foi orçado, na época, em 70.000 (setenta mil reais) e aprovado em Reunião com então e atual Reitor da UFPE Prof. Mozart Neves Ramos, na presença do Prof. Hermíno então e atual Pro-Reitor da PROPLAN ,do Prof. Geraldo Pereira, então e atual Vice-Reitor da UFPE, do Prof. Alfredo , então e atual Presidente da FADE. O real custo de implantação do Instituto não foi conferido visto que este procedimento foi realizado diretamente pela FADE. Considerando que o projeto, para sua manutenção não dispunha de dotação própria, a verba foi liberada pela PROPLAN, que após sua implantação física foi a responsável pela verba de custeio e manutenção. O cumprimento do programa de atividades (cursos, laboratórios, pesquisas, encontros, seminários, mostras e exposições) dependeria, como dependeu, da captação de recursos do próprio Instituto através de inscrições, venda de livros, prestação de serviços, locação de espaços, patrocínios e parcerias).

A básica sustentação econômica do IAC se dava através do pagamento de inscrições e de apoio específico de algumas atividades. Neste aspecto a FUNARTE , órgão do Ministério da Cultura foi decisiva na efetivação das mais importantes ações do IAC (patrocinando a vinda de professores, artistas e curadores de renome nacional, pagamentos de prolabores e passagens aéreas) além de um convênio assinado com UFPE para a implantação no IAC da LIVRARIA FUNARTE/RECIFE especializada em publicação em artes, dentro do seu programa de Difusão da Cultura. A administração financeira do IAC era efetivada pela FADE em uma conta denominada IAC - embora a FADE, mesmo sendo uma das convenientes cobrava uma taxa de administração de 5% (cinco por cento) - sob todo e qualquer depósito realizado. O gerenciamento do IAC , que pela natureza das atividades ficou ligado ao DEC – Departamento de Cultura , que por sua vez é uma instancia departamental da PROEXT – Pró-Reitoria de Extensão da UFPE.

No organograma do DEC não constava nenhuma estrutura, nenhum cargo ou função remunerada, embora fosse necessário um planejamento estratégico e a uma setorização devidamente gratificada (uma coordenação cultural, uma coordenação técnica, uma coordenação administrativa-financeira). Todas as atividades do IAC, no período de 1996 a 1998 foram coordenadas - em acúmulo de cargo - pela Diretora do DEC e todos os procedimentos administrativos-financeiros IAC foram centralizados pela Coordenação Administrativa da PROEXT, encarregada também de orientar os funcionários quanto aos procedimentos de rotina e ao recebimento dos relatórios mensais.

A dificuldade em disponibilizar profissionais do quadro da UFPE (professores, técnicos especializados) – foi difícil, pela falta de uma estruturação orgânica e cargos gratificados. Durante os dois anos de existência, o IAC contou com o suporte de 3 (três) funcionários administrativos e em caráter temporário 2 (dois) professores substitutos e 01 (um) prestador de serviço (designer). Recife, dezembro de 1998

Conselho Curador

Clylton Galamba Fernandes (escultor, PhD em Física, professor do Dep. de Teoria da Arte / UFPE)
Hans da Nóbrega Waechter (designer, professor do Curso de Programação Visual e coord. do Lab/PV / UFPE)
José Manuel Júnior (crítico de arte e jornalista editor da TV Globo)
Reginaldo Medeiros Esteves (professor e arquiteto)
Roberto Lúcio (artista plástico)
Sebastião Pedrosa (artista plástico, PhD em Artes Plásticas e Coord. de Artes Plásticas/ UFPE)
Presidente:
Helena Pedra (bacharel em artes plásticas, membro do Conselho de Política Cultural para os Países do Mercosul e diretora do DEC)


Counters
hit Counter

Archives

05/16/2004 - 05/23/2004  

This page is powered by Blogger. Isn't yours?